29 de dezembro de 2007
As boas, as más e o adeus
As “boas” notícias do final de ano
Como se sabe, o comércio teve o melhor natal em pelo menos dez anos. Fora isso, há previsões de crescimento do PIB ainda maior do que o anteriormente previsto, que por seu turno já era bem otimista.
Mas ainda assim, os grandes jornais de São Paulo - a Folha no dia 26, e o Estadão no dia seguinte – preferiram destacar nas suas manchetes principais o aumento do número de mortes nas rodovias, durante o feriado. Notícia importante, sem sombra de dúvida. Mas impossível negar que tal predileção pela desgraça apenas corrobora a lamentação do presidente Luiz Inácio da Silva há alguns meses, a de que a imprensa só vive de más notícias. O que será que a Eliane Cantanhêde, colunista da Folha que mais esbravejou com aquela reclamação do presidente, teria a dizer sobre isso?
Mas ouso dizer que tenho explicação para isso: o tão esperado caos aéreo do natal não ocorreu; logo, fez-se necessário um sucedâneo para manter a agenda negativa. Quem sabe no ano novo não ocorrem mais atrasos nos vôos!
As “más” notícias do início do próximo ano
Uma previsão que é “batata”: janeiro e fevereiro vêem aumentar as estatísticas referentes à inadimplência e à volta de cheques sem fundo. São os “moderadores naturais” da explosão de vendas do final de ano. Se alguma emissora de rádio e TV ou redação de jornal estiver com problemas de pessoal e precisar dar a notícia, basta revirar os arquivos e utilizar o material do mesmo período do ano passado. Acredito que ninguém vai perceber.
Outro triste risco para o início de 2008 é o aumento dos juros. A inflação bate a porta, como ficou comprovado pela expressiva alta do IGP-M, sobretudo os preços no atacado. Resta-nos apenas torcer para que prospere a tese de Paulo Skaf, da FIESP, e que o fim da CPMF permita a redução dos preços no atacado, afastando assim talvez a principal pressão de alta para o consumidor final . Se o amigo leitor acredita em papai Noel…
O adeus a Oscar Peterson
No natal de 2006, o mundo perdeu o mestre James Brown, e no nível doméstico foi sentida a perda de Braguinha.
E neste natal de 2007, mais precisamente em 23 de dezembro, morreu um dos grandes pianistas da história do jazz: o lendário Oscar Peterson.
De carreira longeva e com inúmeros discos lançados, Peterson sempre se destacou principalmente como líder de seus grupos. Porém, é especialmente recomendável o álbum que dividiu com Louis Armstrong pela Verve em 1957, intitulado justamente Louis Armstrong meets Oscar Peterson. Eis a singela homenagem que lhe presto: redigir estas mal digitadas ao som de um dos melhores pianos – acompanhado de uma das melhores vozes – do século XX. Valeu, Oscar!
*Originalmente publicado no blog (Quase)Tudo.
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